A influência de uma boa Cultura Organizacional na retenção de profissionais no setor de food service

A influência de uma boa Cultura Organizacional na retenção de profissionais no setor de food service

O setor de food service precisa e contrata profissionais de diversas áreas, há os que trabalham no administrativo e também a equipe operacional, que trabalha nos estabelecimentos, lidando diariamente com a rotina do estabelecimento. O problema é a alta rotatividade dentro do setor.

É essencial adotar estratégias que previna esse problema e que atendam às mudanças do mercad. O setor movimenta bilhões ao ano, em 2024 foram R$455 bilhões, e a tendência é de crescimento contínuo para os próximos anos, estima-se que o setor deve crescer até 7% ao ano até 2028.

O Food service alimenta a sociedade e a economia do país, gerando oportunidades de emprego e inclusão social. Conforme levantamento da FGV e da Abrasel, o setor emprega 4,9 milhões de pessoas, representando 7,9% dos empregos formais no Brasil. Os trabalhadores possuem idade média de 34 anos, sendo 49% mulheres e 63% se identificam como pretos ou pardos.

A alta rotatividade é um problema do setor, e o mercado busca soluções, gestão de pessoas, capacitação, adoção de tecnologias e melhoria nas condições de trabalho são algumas delas. 

De acordo com uma pesquisa global da PwC, 76% dos executivos brasileiros consideram a cultura organizacional prioridade para atrair bons profissionais. Logo abaixo vamos aprofundar nessa questão.

 

Como reduzir a rotatividade de profissionais no setor de food service com o fortalecimento da Cultura Organizacional do seu estabelecimento

 O custo de substituir um funcionário pode chegar a 150-200% do salário anual dele, gerando um grande impacto financeiro, considerando, processos de recrutamento e seleção recorrentes, treinamento e perda de produtividade. Ou seja, sai caro para empresa, durante esses períodos a equipe fica sobrecarregada e não vai produzir o mesmo, a empresa perde lucro.

Os dados atuais sobre a rotatividade do setor de food service no Brasil, em 2023 a taxa de rotatividade no setor de bares e restaurantes no Brasil foi de 77,6% em 2023, segundo levantamento da Associação Nacional de Restaurantes (ANR). Esse índice representa uma das maiores taxas entre os segmentos de serviços no país, e indica que mais de 3 em cada 4 funções precisam ser renovadas anualmente (em média). 

Em 2024, o turnover se manteve elevado em torno de 74,3%, mantendo o setor com rotações acima de 70% pelo terceiro ano consecutivo. Dados entre dezembro de 2024 e novembro de 2025 apontam que a taxa de rotatividade foi de 73,49%, o que significa que, na média, cada estabelecimento substitui toda a sua equipe aproximadamente a cada 16 meses (cerca de 1,4 anos).

Esses números mostram uma rotatividade persistente ao longo dos últimos anos. Taxas que representam o dobro de outros setores do mercado, que registram rotatividade entre 30% e 40% no máximo.

Fatores que contribuem para esse cenário no Brasil:

  • Falta de uma boa cultura organizacional com políticas internas eficazes
  • Desgaste físico e mental do trabalhador devido à intensidade e pressão da rotina somada a escalas irregulares e jornadas prolongadas
  • Baixa qualificação profissional e falta de incentivo ou investimento em capacitação para ter profissionais mais qualificados
  • Falta de estrutura das empresas para adotar plano de carreira como regra
  • Setor visto como “trabalho temporário”

 

Obstáculos para a operação e para o financeiro, que demanda estratégias de retenção, capacitação e gestão de pessoas, tanto para reduzir custos quanto para melhorar o engajamento, qualificação e permanência do colaborador.

 

A influência de uma boa Cultura Organizacional na retenção de profissionais no setor de food service

Cultura Organizacional

Cultura organizacional traduzida em políticas internas são fundamentais para empresas do setor que queiram crescer. Elas impactam diretamente a rotina do ambiente de trabalho e dos profissionais, e portanto, a imagem da empresa. 

Cultura organizacional traduz o propósito e os princípios da empresa, um conjunto de valores, comportamentos e práticas que orientam como fazer o trabalho e como devem ser as relações internas e com os clientes. Não está apenas no discurso, mas no que é permitido, tolerado, e como deve ser feito.

As políticas internas são as ações. Elas deixam claro o que a empresa espera de seus profissionais e o que eles podem esperar da empresa, geralmente expostas em manuais e informativos.

No setor de food service, investir em cultura e políticas claras é uma estratégia ampla, e um dos objetivos é a retenção de profissionais. Quando cultura e políticas caminham juntas, o ambiente de trabalho fica mais agradável, previsível e produtivo.

 

Cultura Organizacional na Prática

No setor de bares e restaurantes, a cultura organizacional aparece em coisas simples, mas decisivas, como:

  • A forma como líderes se relacionam a equipe em momentos de pressão
  • Como erros são corrigidos (com orientação ou punição)
  • Se há respeito a horários, folgas e limites físicos
  • Como conflitos com clientes são conduzidos
  • Se existe espaço para diálogo e feedback
  • Plano de carreira, treinamento e capacitação

Uma cultura mal estruturada resulta em alta rotatividade de funcionários (turnover), desmotivação da equipe, falta de comprometimento e acaba criando um ambiente de trabalho que não funciona a longo prazo. 

Não funciona ter valores apenas na fala, políticas extensas que ninguém entende. Foque em políticas eficazes, conscientizando e treinando a equipe. Isso impacta o rendimento do trabalho e resultados da empresa, retendo profissionais, melhorando o atendimento, reduzindo custos e aumentando o lucro.

O papel das políticas internas

As políticas servem para organizar e proteger as relações da empresa. Trazem clareza e evitam decisões arbitrárias. Devem ser objetvas, informando a quem se aplica, como funciona, como pode ser acessada ou solicitada.

 Alguns exemplos de políticas que podem ser adotadas: 

  • Política de jornada e escalas e Política de pausas e descanso
  • Política de conduta e respeito no ambiente de trabalho
  • Política de Diversidade e Inclusão
  • Política de saúde e segurança
  • Política de comunicação interna
  • Política de tratamento de conflitos com clientes
  • Política de crescimento e desenvolvimento profissional
  • Política de reconhecimento
  • Política salarial justa

Essas políticas ajudam a reduzir insegurança, estresse e conflitos, além de fortalecer a confiança entre empresa e colaboradores. Diminuindo a rotatividade e  desempenho dos profissionais. 

O fato é cultura organizacional sem políticas internas efetivas é falácia, implementar essas políticas que transforma a intenção em ação. 

  • Uma empresa pode dizer que valoriza pessoas, mas se não tem políticas que fazem isso, ela não sustenta esse ideal. 
  • Uma empresa pode ter regras escritas, mas se nem a liderança faz o que está no papel, não é real.

No food service, onde a pressão é alta e o trabalho é intenso. Empresas com cultura e políticas, na prática, tendem a:

  • Reduzir a rotatividade de funcionários
  • Melhorar o clima organizacional e o bem-estar no dia-a-dia
  • Aumentar a produtividade
  • Fortalecer o engajamento da equipe
  • Ter profissionais mais qualificados
  • Melhorar a experiência do cliente

Para quem trabalha no setor, entender a cultura e as políticas da empresa ajuda a tomar decisões mais conscientes, manter um ambiente de trabalho respeitoso, evitar situações abusivas, ter mais qualidade de vida no trabalho.

 

Erros comuns

Ao investir em políticas internas evite:

  • Copiar políticas externas, poque viu outra empresa fazer, sem adaptar para o seu estabelecimento
  • Querer implementar muitas políticas de uma vez – esse é um processo de adaptação, foque no que for mais urgente e vai ampliando aos poucos
  • Não se comprometer com a execução das políticas, prometendo ações e não cumprindo, tem baixíssima eficácia e gera grande desconforto.
  • Não capacitar e envolver as lideranças no processo
  • Implementar políticas sem informar e comunicar claramente aos colaboradores
  • Focar em políticas de benefícios superficiais, como iniciar investindo em lazer para os colaboradores (isso não é prioridade)
  • Não acompanhar os resultados periodicamente

 

Por onde começar

Como criar suas próprias políticas

Iniciando pelas mais importantes, é preciso fazer uma pesquisa interna com os funcionários, identifique as principais dores e as mais comuns.

 As políticas devem ser objetivas, documentos informativos de uma ou duas páginas, comunicando de forma simples e visual. Treine e direcione líderes ou representantes para ajudar na implementação. Acompanhando a aplicação para entender como está sendo a adaptação.

Revise de tempo em tempo, pode ser uma revisão trimestral ou semestral. Entenda o que priorizar com orçamento limitado e lembre que isso vai ajudar a longo prazo, evitar e/ou ter prejuízos com os funcionários com a queda da produtividade da empresa.

 

O que fazer inicialmente?

Se você é empresário do setor, investidor, gestor ou atua no RH, essa parte é essencial. E se você é colaborador, vale a leitura também, entender o que pode ser feito ajuda a propor melhorias com fundamento.

Não precisa tentar fazer tudo de uma vez. Inicie pelo básico e ir evoluindo. Fortalecer a cultura organizacional com políticas simples, com ações práticas e informação acessível a todos os funcionários.

Inserir pequenos intervalos fora do horário de pico, um local de descanso, temperatura ambiente, água sempre disponível, respeito garantido, são coisas básicas. Mostrar para a equipe que a empresa se importa e está tentando criar um lugar melhor para trabalhar já muda muita coisa e faz os funcionários se sentirem respeitados.

A influência de uma boa Cultura Organizacional na retenção de profissionais no setor de food service

Ambiente de trabalho que não adoece

Um ambiente com temperatura ambiente, ventilação adequada com climatização funcionando – principalmente na cozinha, água filtrada disponível o tempo todo, local para alimentação e descanso com cadeiras e mesa. Esses exemplos evitam desidratação, queda de pressão, exaustão, problemas respiratórios e possibilita um bom descanso. 

Se olhar bem são condições adequadas para manter um bom trabalho.

Pausas de verdade 

Uma pausa em que o profissional pode sentar, comer com calma, descansar as pernas. 

Se for possível ter um local de descanso silencioso onde o pessoal possa elevar as pernas, respirar um pouco e se recompor por alguns minutos, melhor ainda. Isso faz toda diferença após um dia de trabalho, no final de uma semana e em um mês de trabalho nessa rotina.

Equipamentos e treinamento ergonômico

Treinar e ensinar a equipe a levantar peso corretamente, carregar bandejas e se movimentar de forma mais segura sem sobrecarregar a lombar previne lesões e afastamentos médicos. Quando der, investir em equipamentos que facilitam o trabalho —  carrinhos, bandejas mais leves e pisos antiderrapantes.

Programas de bem-estar (se couber no bolso)

Entenda que cuidar do bem-estar é olhar para a infraestrutura, condições do ambiente de trabalho, organização e relacionamento da equipe.

Alguns estabelecimentos, com mais funcionários (50-100), às vezes, conseguem investir mais, oferecer gympass, desconto em psicólogo, atividades físicas, ginástica laboral, workshops ou palestras sobre estresse. 

Isso é ótimo, mas não é realidade para todos. Implemente o que estiver a seu alcance.

 

Escala previsível ajuda a organizar a vida

Apresentar a escala com antecedência proporciona ao funcionário organização da vida pessoal. Ele consegue se planejar melhor, marcar médico, ver a família, ter vida social, lazer e manter hobbies. 

Escalas que mudam o tempo todo aumentam o estresse e o desgaste emocional. Sempre que possível, dê previsibilidade.

Reconhecimento do trabalho

Um elogio sincero, reconhecer o trabalho ou esforço de alguém, faz diferença, e é um incentivador para manter a atitude. Bonificações, plano de carreira e reconhecimento motivam a equipe. Uma rotina pesada sem valorização resulta em rotatividade.

Respeito tem que ser regra, não exceção

Ter políticas e ações claras contra preconceito e assédio, com canais seguros para denúncia e líderes preparados para lidar com conflitos cria um ambiente mais saudável. Cliente difícil existe, faz parte do setor, mas a empresa precisa apoiar o colaborador quando a situação sai do controle. Ter respaldo reduz muito a pressão emocional.

Cuidar da saúde da equipe não é um forma de fortalecer a empresa. Profissionais com boas condições de trabalho permanecem mais tempo na empresa e entregam um atendimento de qualidade.

 

Implementação pática

A partir das ações apresentadas acima, avalie o que sua empresa precisa, o que você pode priorizar e comece. 

Faça uma análise com a equipe do RH para identificar o que está ocorrendo, quais as porcentagens reais de desligamento da empresa, qual o engajamento dos funcionários, faça pesquisas com os funcionários periodicamente para conseguir entender por onde iniciar.

Se no momento, sua empresa só consegue aprimorar o que já tem e ir desenvolvendo novas ações diante de resultados positivos, é isso. Encontre uma forma de iniciar e continuar progressivamente.

Quando um profissional estiver saindo da empresa, peça para preencher uma pesquisa de desligamento e entenda como estiveram engajados com a cultura da empresa durante o tempo de trabalho.

Estruture um plano de implementação de ações para fortalecer o engajamento e como vai ser o acompanhamento. Coloque em prática por meio de treinamento e distribuição de panfletos informativos. Conscientizando e informando qual é a importância da ação para todos, empresa e funcionário. 

Lembre de estabelecer metas reais. O mais importante é o engajamento dos colaboradores com a empresa e retenção desses funcionários por mais tempo. O fortalecimento da imagem e personalidade da empresa externamente será reflexo dessas ações.

 

Conclusão

O setor de food service é marcado por dinamicidade e alta rotatividade, uma boa estrutura é estratégia. Uma forte personalidade e propósito reflete na cultura organizacional, ações tira a coisa toda do discurso bonito. Essa ferramenta é uma estratégia de gestão, retenção de profissionais, sucesso da empresa

No food service, onde os funcionários são a cara da empresa. Investir em valores claros, ações, políticas bem aplicadas e lideranças preparadas é o caminho mais eficiente para reter profissionais, reduzir custos e melhorar a empresa profressivamente.

Quando o profissional se sente bem no ambiente de trabalho, valorizado, seguro e enxergando possibilidades reais de crescimento, ele permanece, se engaja mais e entrega um atendimento melhor. O resultado é bom para todos.



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